aJá imaginou pedalar na sua bicicleta normal, do dia a dia, dentro de casa, mas passando por rotas incríveis durante o confinamento por conta da pandemia de coronavírus (Covid-19)? Pois com o Zwift, app que simula as pedaladas ao ar livre por diferentes percursos virtuais e reúne usuários em várias partes do mundo, isso se tornou não só possível, como também divertido. Além de instalar o jogo, só é necessário ter uma bike e um rolo de treino, acessório que prende a roda traseira da bicicleta comum, permitindo que você pedale sem sair do lugar, ou uma bicicleta ergométrica. E, claro, de um dispositivo para rodar o app, que pode ser um celular, tablet ou computador. Abaixo, explicamos melhor o passo a passo e contamos algumas histórias de gente que já usava e outros que passaram a usar durante a quarentena, e que estão descobrindo que, em algumas oportunidades, dá até para pedalar por cidades como Londres ou pelas pistas do Central Park, em Nova York, em cenários e trilhas que mudam diariamente.

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Apresentador do SporTV, Marcelo Barreto comprou um rolo de treino para a sua bicicleta depois que começou a quarentena por causa do coronavírus — Foto: Acervo pessoal

O Zwift também conta com modo voltado para corredores de rua. Mas é a versão para ciclistas que vem fazendo sucesso. Em vez de pedalar olhando para a parede ou uma televisão, o ciclista pode participar de programas de treinamento, passeios em grupos e até competições. Dependendo da qualidade do rolo escolhido, a experiência do pedal se assemelha ainda mais à real. Ao subir uma ladeira, por exemplo, o usuário sente o esforço aumentado, assim como vê o giro ficar mais fácil ao encarar uma descida ou ao pegar o vácuo de um ciclista à frente, durante uma prova. Isso tudo interagindo com amigos que também estejam no Zwift ou outros usuários que aderiram ao jogo, o que faz muita diferença nesse momento de distanciamento social.

O atleta francês do salto com vara Renaud Lavillenie, por exemplo, dentre as tantas atividades que realiza na quarentena, aposta no uso de aplicativo que transforma o treino de ciclismo em ambiente fechado em uma experiência mais dinâmica e interativa, como mostra o post que publicou no Instagram. Já o apresentador do Redação SporTV Marcelo Barreto é adepto das corridas, normalmente. Mas, com a quarentena, ele, que fazia planos para voltar a correr na rua, começou a buscar alternativas para ficar em dia com os exercícios físicos nesse período. Primeiro, Marcelo pensou em investir em uma bicicleta ergométrica. Porém, com o apoio do treinador e comentarista do SportTV Lauter Nogueira, decidiu apostar na compra de um rolo para usar a sua bike em casa e logo teve conhecimento do Zwift. Pedalar, para Marcelo, está mais associado a passeio e diversão do que a exercício físico. No entanto, durante esse período de confinamento, a bike, o rolo de treino e o aplicativo se tornaram seus aliados para realizar atividade física em casa. Marcelo abre o app pelo celular, encaixa-o no guidão e se concentra nas pedaladas.

– Acabei de baixar o Zwift e ainda estou entendendo como funciona. Fico preocupado de me meter no meio dos atletas e inibido para participar da comunidade. Tem muita gente fera e ainda estou em nível bem iniciante e procurando o meu lugar. Tenho que encontrar a minha galera, do pessoal do passeio. Nunca fui um ciclista dedicado a pedalar como exercício. É uma coisa que fazia livremente, sem um objetivo final. Imagino que o app possa me envolver de uma maneira que, depois que tudo isso passar, pode ser um incentivo para voltar a pedalar na rua – comenta.

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Aproveitando esse período de distanciamento social, ex-triatleta e instrutor Marcos Hallack vem organizando treinos para seus alunos por meio do Zwift. Segunda-feira, quarta-feira e sexta-feira às 7h da manhã ele reúne sua turma para um treinamento de uma hora e meia. Já aos sábados, quando chega a ter 50 alunos participando, passam cerca de três horas pedalando. Usuário do aplicativo há cerca de três anos, Marcos comenta que pedalar no rolo, realmente, não se compara com a rua, ainda que haja vantagem de ser mais seguro para o ciclista. Porém, não se engane: dá para realizar um treino intenso e muito divertido, além de participar de competições com outros usuários.

– Natureza é natureza, vento na cara é vento na cara. Mas já me peguei fazendo curva usando Zwift. Parece que, no aplicativo, a gente consegue ir além. É um ambiente em que você pode, se quiser, encontrar competitividade para valer ou pedalar com amigos. Como é um ambiente muito social, vem crescendo demais. Se entrar no Zwift agora é capaz de ter 15 mil pessoas pedalando. Pode parecer que é chato pedalar parado, mas, na verdade, com esse aplicativo é muito divertido – afirma Marcos, acrescentando que há outros apps semelhantes, alguns com a tecnologia ainda melhor, mas o Zwift, por ser pioneiro, reúne uma quantidade maior de usuários, o que é o seu diferencial.

Confira a seguir as orientações sobre o Zwift, que preparamos com o apoio dos entrevistados e de informações do site do aplicativo. E, em seguida, conheça as histórias e opiniões de outros usuários do Zwift.

Equipamentos necessários

  • Bicicleta: em geral, os adeptos do Zwift usam bikes de estrada. Mas é possível contar também com mountain bike, bicicleta híbrida e até ergométrica. Contudo, no Zwift, a maioria dos percursos é no asfalto;
  • Rolo de treino: os modelos mais simples exigem o uso de sensores, encontrados em lojas de materiais esportivos e bike shops. Conectados por ANT+ ou Bluetooth, esses dispositivos informam velocidade e cadência da pedalada para o aplicativo. Já os modelos mais avançados, conhecidos como smart, permitem maior interação com o Zwift, transmitindo os dados automaticamente. Ademais, ao usar esses rolos, é possível simular ainda melhor a experiência de pedalar no percurso escolhido. Durante o período de quarentena, recorra aos sites de lojas de materiais esportivos e bike shop para pesquisar e comprar esse equipamento;
  • Aparelho para rodar o aplicativo: pode ser um computador, tablet ou celular. Uma opção é conectar o dispositivo escolhido a uma televisão para melhor visualização do percurso, se dispõe de espaço para tanto;
  • Ventilador: Sim, esse é um item de extrema necessidade. Afinal, a bike ficará parada no cômodo em que o rolo e bike serão instalados e, como o exercício é intenso, o ciclista tende a suar muito. Para aguentar o treino ou a competição e controlar a temperatura corporal, portanto, investir em um ventilador é medida básica. Vale até considerar contar com um modelo com controle remoto.

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Outros acessórios importantes

  • Frequencímetro;
  • Tapete para rolo de treino, para ajudar a absorver o suor. É possível até improvisar e usar outros modelos. No entanto, comprar um tapete próprio para rolo é o mais indicado, pois também ajuda a absorver a vibração do equipamento sobre o piso;
  • Toalha: pode apostar, você vai suar e esse item será essencial durante o exercício;
  • Protetor de quadro: como a tendência é transpirar muito e a bike estará parada, há o risco de o suor danificar o quadro. Por isso, considere comprar um protetor de quadro, encontrado em lojas esportivas e especializadas em bicicletas;
  • Garrafa de água ou isotônico: cuidar da hidratação também é fundamental ao pedalar no rolo e usando o aplicativo.

Avatar do administrador Fábio durante treino pelas ruas de Londres — Foto: Arquivo pessoal

  1. Uma vez que conte com todos os equipamentos necessários, crie uma conta;
  2. Baixe o aplicativo, por meio do site do aplicativo (Zwift.com), Apple App Store ou Google Play Store;
  3. Entre no app, inclua informações pessoais, como idade, peso e altura, escolha a opção de percurso disponível e pedale;
  4. Pague a mensalidade. Há um período de setes dias para teste gratuito. Porém, passado esse prazo, é preciso arcar com a mensalidade, cobrada em dólar, para usar o Zwift.
  • Pondere sobre suas necessidades e possibilidades financeiras ao escolher o rolo de treino. Dá para optar por modelos mais básicos até aqueles mais avançados e com maior interação com as funcionalidades do Zwift. Mas vale frisar que rolos muito simples e com muita inércia não permitirão usufruir do aplicativo da melhor forma. Por isso, se seu objetivo é passar a usar o aplicativo com muita frequência, vale considerar apostar em uma opção smart, que demandará um investimento maior;
  • Faça uma pesquisa para escolher o rolo de treino e para aprender a usar o Zwift. No site do aplicativo, com conteúdo em inglês, há explicações sobre como utilizá-lo. Contudo, na internet também há vídeos em que ciclistas dão essas dicas. Informe-se para orientar melhor a sua decisão;
  • Considere contar com o suporte de um treinador para essa experiência ser ainda melhor. Há diversos aplicativos que interagem com o Zwift, incluindo programas voltados para a prescrição de treinos. Assim, o profissional de Educação Física poderá indicar os seus treinamentos por meio do app. Além disso, mesmo usando a bike parada também há risco de lesões, o que pode ser minimizado com a orientação de um treinador.
  • Os percursos são oferecidos diariamente, com novas trilhas a cada dia.
  • O Zwift tem boa integração com o Strava, misto de aplicativo e rede social de corrida, ciclismo, natação e outras atividades físicas, assim como com equipamentos como o Garmin e FitBit.

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Zwift proporcionou mais dinamismo aos treinos de Igor Lordello no rolo, tornando essa experiência divertida, em vez de um suplício — Foto: Arquivo pessoal

O analista judiciário Igor Lordello, morador do Leme, no Rio de Janeiro, sempre gostou de pedalar. Quando conheceu o Zwift, há cerca de dois anos, ele já tinha o hábito de treinar no rolo, o que considerava um suplício. Porém, ao começar a usar o aplicativo, essa experiência mudou. Igor garante que pedalar em casa, no rolo de treino, se tornou uma diversão. Quando o seu filho nasceu e o tempo para treinar ficou mais curto, o app virou um grande aliado.

– Como é um jogo, dá uma motivação maior. Com o Zwift, dá para pedalar com pessoas conhecidas e a gente até esquece que está no rolo. Já participei de provas, mas não sou muito competitivo. Para mim, vale mais em termos de condicionamento e de manter a forma. Uma hora no rolo é mais eficaz do que uma hora na rua – opina.

Natural de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, o administrador Fábio Paes Bailune sempre gostou de pedalar, de preferência com sua mountain bike. Quando se mudou para São Paulo (SP), começou a pesquisar como poderia realizar seus treinos com segurança e driblando desafios logísticos. Foi assim que conheceu os rolos mais interativos e que se conectavam a aplicativos, como o Zwift. Fábio decidiu investir em um equipamento que possibilitasse a melhor experiência com o app e recorrer ao uso de uma bike speed, em vez de sua MTB. Seu rolo realiza diversas simulações, e não apenas de subida ou descida. Se há um trecho de paralelepípedo, por exemplo, ele tem a sensação de passar por esse tipo de terreno.

Para não ficar parado durante a quarentena, o administrador Fábio não dispensa seus treinos no Zwift — Foto: Arquivo pessoal

Fábio considera que o Zwift conta com poucas opções de pista e imagens menos atrativas, quando comparado a aplicativos semelhantes que contam com vídeo, em vez de computação gráfica. Porém, não há como negar que o app dá uma motivação maior para treinar no rolo, especialmente pela interação com outros ciclistas e pelo aspecto competitivo que encontra nesse ambiente virtual. Ainda mais agora, com as restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus.

– O aplicativo cria mais motivação pela interação com outras pessoas. Posso combinar de pedalar com um amigo ou falar com um cara que está na Suíça e marcar um pedal com ele. E o Zwift cria um clima de competição. Sou mais competitivo. Se alguém me passa, vou ter que passar também. Uma hora pedalando olhando para a parede não funciona. É fundamental ter o app. Nessa situação atual, em que evitamos ao máximo sair de casa, mais do que nunca – enfatiza.



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